domingo, maio 07, 2006

# XVIII - No primeiro domingo de Maio, dia da Mãe.


(a 07/Maio/2006)
Para ti, Mãe.
Eu sei que estes dias têm um lado demasiado comercial.
Ainda assim ...
Obrigado por me teres incluído no teu projecto de vida.

3 comentários:

Tit disse...

Obrigada pela tua visitinha por lá... e pelo ar sereno que se por aqui respira ;)
Boa semana!

Anónimo disse...

Poema à Mãe
Eugénio de Andrade

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe.

Tudo porque já não sou
o menino adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? _
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;

ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz :
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...

Mas - tu sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves


Para ti, Tsiwari, um beijinho e uma flor

Siricaia

TsiWari disse...

Sempre gostei taannnntoooo deste poema, Siricaia!

Obrigado.

;)***