segunda-feira, julho 19, 2010

# CCCLXXXIX - Lara Li, estrela

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[Lara Li, Fnac NS - Hoje ]


Ela diz que a culpa é dele. Que foi o Miguel Braga que a convenceu a regressar às lidas discográficas.


Se assim foi, abençoado Miguel. Além de tocares bem que te fartas, ainda és responsável pelo regresso da diva Lara Li. Linda, como sempre, e com aquela voz límpida, em que se percebe cada uma das sílabas que canta, esta mulher (um mulherão de verdade, como diria a Simone brasileira) e até nos faz acreditar que é simples cantar.



No LEVEMENTE podemos ouvir canções como nunca ouvíramos até aqui. Este Sol de inverno (da nossa Simone, será sempre da Simone) parece outro - e não fica nada a perder. Os instrumentais são revelações doces e divinas.



E a Estrela da tarde continua a ser uma canção superior - agora na voz de uma mulher.





Estrela da Tarde
[José Carlos Ary dos Santos / Fernando Tordo]

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia

Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que nos aconteceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram

Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto.



13 comentários:

Joaquim Amândio Santos disse...

Longa vida a quem nos adoça a vida por telepatia...

tsiwari disse...

Amândio : aquele abraço, rapaz!

:)

yuvaíka disse...

Hoje, a tarde está a ser tão LEVEMENTE bem passada, (ainda que a trabalhar), ao som desta doce e suave melodia. Por breves momentos tive recordações das "noites mais belas que me aconteceram", dos "beijos de aromas" que encheram os meus "silêncios nocturnos" ...

Boa semana de trabalho...

:)*****

tsiwari disse...

yuvaíka : integrar as boas recordações na nossa vida é a melhor forma de aumentar o "capital de auto-estima" que conheço.

Que a tua semana tenha momentos bons - fora do trabalho, sobretudo.


:)***

Rosa dos Ventos disse...

Foi com um enorme prazer que voltei a ouvir a clara voz da Lara Li!
Obrigada

Abraço

tsiwari disse...

Rosa dos Ventos : é sempre um prazer!

:)***

wandering disse...

Estranho ouvir esta canção na voz de uma mulher, de tão habituada estar a ouvi-la num registo masculino, mas gostei.
Mas um poema do Ary dos Santos, torna qualquer registo belo.

Bj

tsiwari disse...

wandering : é verdade que a beleza do poema é inquestionável. Mas acho que a Lara Li lhe acrescenta aquele "je ne sais quoi" que torna a canção "almost perfect".

E, prontos, estou assim... internacional...



:)****

deep disse...

Gostei desta nova versão, antes interpretada pelo Carlos do Carmo, se não me engano. Gosto da introdução em tom "jazzístico".

Há dias, li uma entrevista com ela. Pareceu-me um pouco "à defesa", muito frontal, em algumas respostas a raiar o lacónico. Ainda assim, gostei.

Bom resto de semana. :)***

tsiwari disse...

deep : a vida, por vezes, põe-nos lacónicos!

umas boas férias.

:)****

Teresa Lobato disse...

Sem dúvida, aquela voz clara e limpa, como dizes, melhor do que nunca. Ainda bem que há regressos.

Abraço

tsiwari disse...

Teresa Lobato : bem regressada sejas!

:)**

Anónimo disse...

Eu tive o privilegio de conhecer (anos 1978/79) a LARA LI antes de ela ser (re)conhecida pelo grande publico.
Ela cantava só para Amigos que disfrutavam, e muito, da sua fantastica voz !

Obrigado LARA pelo teu regreso !

1000 Beijos
Paulo Oliveira
Madrid