segunda-feira, maio 01, 2006

# XI - Les hirondelles...


(foto tirada a 30/04/06)


Tive a felicidade de visitar amiúde os meus avós paternos. E a felicidade ainda maior de viver pertíssimo da minha avó materna. E de passar assim muito tempo em descobertas...
Das memórias que trago comigo, realço a das andorinhas que, ano após ano, faziam por lá os ninhos, tinham os seus filhos e partiam. No ano seguinte, vinham sempre mais...
Claro que sujavam aquilo tudo! E eu, espantado, por que tal permitiriam...
Um dia a minha tia Matilde explicou-me porquê :
- Porque as andorinhas são os pássaros preferidos do menino Jesus. E quem, de alguma forma, as melindrar é ao próprio Cristo que o fazem.
Então percebi o porquê de tanta benevolência.
E não foi por isso que fiquei a gostar menos das andorinhas. :)
P.S. O título do post em francês...porque gosto do som da palavra.
E a canção (pois há sempre uma canção...):

A Andorinha Da Primavera
Madredeus

Andorinha de asa negra aonde vais ?
Que andas a voar tão alta
Leva-me ao céu contigo, vá
Qu'eu lá de cima digo adeus

ao meu amor

Ó Andorinha
da Primavera
Ai quem me dera também voar
Que bom que era
Ó Andorinha
na Primavera
também voar




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# X - Oh, Susana!



(Os autógrafos estão guardados religiosamente para me lembrarem do momento.)

Que sorte tive em conhecer, alive and kicking, a grande, imensa, universal Susana Baca!

Nascida num subúrbio de Lima, Peru, converteu-se num expoente da boa música Afro-Peruana. As suas preocupações sociais foram, de tudo o que falou, o que mais me ficou na memória.

Nem a minha pergunta "No início as suas canções eram mais politicamente e socialmente fortes. Hoje abandonou essa veia revolucionária?" a abalou. Ela criou no Peru uma espécie de Belgais, da nossa Maria João Pires. E continua revolucionária, sim... se não tanto no cantar, muito mais no hacier!

Para quem a puder ouver (ver e ouvir) na Casa da Música, esta noite...

Para todos, fica aqui uma das mais emblemáticas canções da
Susana Baca, Negra Presuntuosa.


Algo de mi se ha perdido
Entre tu casa y mi casa
Será el calor que no abrasa
No es de gozo
No es de ira
Como tampoco es mentira
Que algo de ti se ha escondido
Entre tu calle y mi alma
Será talvez la esperanza
De un cariño adormecido
Yo sabré reír
Yo sabré llorar
Yo sabré entregarte mi cariño
Negra
Negra que te quiero
Goza
Negra presentuosa
Mira
Que me estoy muriendo
Dame
Vida de tu boca
Bota
Que me estó pisando
Los talones de la libertad




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# IX - Encantatória


(Atrás desta paisagem, o sol deitava-se no Atlântico, visto através da Ponte Arrábida!)


Das melhores vozes portuguesas, Né Ladeiras tem o condão de escolher apenas reportórios de primeira água.

Duvidam?


Escutem este tema do seu (melhor!) album Traz os Montes, cantado em Mirandês.



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# VIII - Assim vão os dias


(Foto numa manif em Londres, Abril 06 - direitos reservados)


Sobe o preço do petróleo.
E atrás (ao lado?) vão todos os outros...
A gasolina,
o gasóleo,
os transportes,
o pão...

E o Homem?
O seu preço sobe?

E ao Homem?
O que lhe resta?

domingo, abril 30, 2006

# VII - E lá vem o Maio...




Uma das tradições cá do burgo prende-se com o primeiro dia de Maio.

Reza a tradição que, em todas as portas e alfaias agrícolas, deve estar apensa uma flor (assaz frequente nesta altura e, muito apropriadamente, chamada Maia) quando Abril se despedir e deixar Maio nascer.

Se tal não acontecer, nas casas entrará um cavaleiro montado num belo cavalo branco que levará consigo as crianças da casa, alguns dizem que directamente para o Inferno, e o ano agrícola será desastroso.

Sem estes receios, mas procurando não deixar cair no esquecimento certas tradições, lá fomos apanhar as Maias para embelezar as portas da casa.

Curiosidade : e porque será que isto se está alastrando aos camiões? É cada vez mais comum ver-se camiões com estas flores, nestes dias...