sexta-feira, julho 09, 2010

# CCCLXXXVI - As velhinhas cartas de amor

.
.
.


[Porto, Jul'10]




Parte I
Uma coisa que ocupa muitas vezes é o olhar, o procurar reparar, o tentar ver, o observar constantemente o que me rodeia e imaginar como ficaria capturado esse olhar numa fotografia..

Passeando pelo Porto, um destes dias, pousei o meu olhar nas caixas de correspondência que adornam muitas portas de madeira.

Parte II
Remonta a 1945 o nascimento desta canção por Dick Haymes com Victor Young and His Orchestra. Depois inúmeras versões foram gravadas: Tony Bennett, Nat King Cole, Perry Como, Peggy Lee, The Marvelettes, Cliff Richard, Sandie Shaw (a menina descalça do festival), o próprio Elvis Presley, Don McLean, Sinéad O´Connor, Bonnie Raitt & Elton John, Diana Krall, Etta James, Elkie Brooks, Aretha Franklin, Jason Donovan... só para mencionar alguns.
A primeira do meu Top é esta versão da Alison Moyet:


Parte III
Love Letters by Alison Moyet


Love letters straight
from your heart
Keep us so near
while apart

I'm not alone in the night
When I can have all the love
that you write

I memorize every line
And I kiss the name
that you sign

And darling then
I read again
right from the start

Love letters straight
from your heart

I memorize every line
And I kiss the name
that you sign

And darling then
i read again
right from the start

Love letters straight
from your heart




sábado, julho 03, 2010

# CCCLXXXV - Meninas que andam no baile

.
.
.


[Bailes. Jun'10]

Em tempos de bailes, de cultura popular, uma canção das que gosto de revisitar - a beleza da simplicidade: voz e adufe.



sexta-feira, junho 25, 2010

# CCCLXXXIV - Noções

.
.
.



[Ana Bacalhau - 23 Jun 2010]



Os Deolinda foram uma surpresa muito boa quando apareceram, em 2008, com "Canção Ao Lado".

O novo trabalho, "Dois Selos E Um Carimbo", é, igualmente, genial.

Adoro a ironia e a boa disposição do tema "A problemática colocação do mastro" - é o meu toque de telemóvel há mais de um mês (Ok, vou mudar...).

Balanço com a energia de "Um contra o outro". Sorrio com "Quando janto em restaurantes".

Imagino e chego a sentir a alegria do voo da mariposa em "Passou por mim e sorriu". Vicio-me na melodia do "Não tenho mais razões". Balanço ritmado nos "Ignaras Vedetas" e "Fado Notário".

"Alvalade e as portas de Benfica", remetem-me, pela letra, para La oreja de Van Gogh - Jueves.

Sem apreciar por aí além a letra da "Canção da Tal Guitarra", gosto da sua parte instrumental - muito world music, diria.


E ouvi-os, estes todos, e ainda mais alguns temas do cd anterior, nesta véspera de S. João. Não desiludem, os Deolinda, em palco. Gostei!!!

Deixo este tema que traduz muito bem a vida de tantas vidas, enquanto se teima em adiar o viver da vida.




Sem noção - Deolinda


Quantas vezes julgas alguém
Por julgar ter mais do que tem
E não ter a noção de si,
Tu não tens a noção de ti.

Quantas vezes queres e não tens,
Tantas vezes tens e nem tens
A noção do que tens aí.

Tu não tens a noção de ti
E perdeste a noção de mim.

Tu não tens noção do que tens,
De quem és, de quem sou para ti,
Tu perdeste a noção de quem
Gosta de ti.
Gosta de ti,
Sem a noção de que o amor tem

Tantas vezes penso que tens a noção
E a fé nesses bens que deténs só porque enfim,
Tu não tens a noção de mim.

Tantas vezes quis ter também
E aprendi não tendo ninguém,
Só meu que eu devolvi,

Tu não tens a noção de mim
E perdeste a noção de ti.

Tu não tens noção do que tens,
De quem és de quem sou para ti,
Tu perdeste a noção de quem
Gosta de ti.
Gosta de ti,
Sem a noção de que o amor tem

Gosta de ti,
Sem a noção de que o amor tem fim.


terça-feira, junho 22, 2010

# CCCLXXXIII - Si vous avez le temps, refusez d'obéir!

.
.
.


[Museu Arqueológico da Sociedade Martins Sarmento - Jan'10]


As letras e as melodias da Chanson Française, lato senso, agradam-me.
Gosto ainda de canções de intervenção, de revolta, de insubmissão.
E isto é o bastante para um post com este Le déserteur na voz de Boris Vian.

Declaração de intenções :
Não é, de todo, alheia a este post a disseminação dos GigábsurdóHiperMegágrupamentos ao Ensino Português



Le déserteur - Boris Vian
Composição: Boris Vian/ Harold Berg (1954)

Monsieur le Président
Je vous fais une lettre
Que vous lirez peut-être
Si vous avez le temps
Je viens de recevoir
Mes papiers militaires
Pour partir à la guerre
Avant mercredi soir
Monsieur le Président
Je ne veux pas la faire
Je ne suis pas sur terre
Pour tuer des pauvres gens
C'est pas pour vous fâcher
Il faut que je vous dise
Ma décision est prise
Je m'en vais déserter

Depuis que je suis né
J'ai vu mourir mon père
J'ai vu partir mes frères
Et pleurer mes enfants
Ma mère a tant souffert
Elle est dedans sa tombe
Et se moque des bombes
Et se moque des vers
Quand j'étais prisonnier
On m'a volé ma femme
On m'a volé mon âme
Et tout mon cher passé
Demain de bon matin
Je fermerai ma porte
Au nez des années mortes
J'irai sur les chemins

Je mendierai ma vie
Sur les routes de France
De Bretagne en Provence
Et je dirai aux gens:
Refusez d'obéir
Refusez de la faire
N'allez pas à la guerre
Refusez de partir
S'il faut donner son sang
Allez donner le vôtre
Vous êtes bon apôtre
Monsieur le Président
Si vous me poursuivez
Prévenez vos gendarmes
Que je n'aurai pas d'armes
Et qu'ils pourront tirer



sábado, junho 19, 2010

# CCCLXXXII - Cadeados

.
.
.


[Proibido - Ponte Vecchio, Maio'10]




[Juras sólidas - Florença, Maio'10]






Imagine-se em pleno século XIV, a época de Dante, Bocaccio, Giotto... Um periodo luminoso da história florentina nas artes e nas ciências. Por sobre o Rio Arno, a elegante Ponte Vecchio, construída em 1333, destinada somente aos mais prestigiados joalheiros.

Avance até à actualidade. A ponte ainda existe - é a chamada Ponte Velha (ponte Vecchio). Ao longo da ponte há vários aloquetes, especialmente no gradeamento em torno da estátua de Benvenuto Cellini. Celebra-se, deste jeito, a antiga ideia do amor e dos amantes: ao trancar o aloquete e lançar a chave ao rio, os amantes afirmavam a sua ligação eterna. Graças a essa tradição e ao turismo desenfreado, milhares de cadeados tinham de ser removidos pondo em risco a estrutura da velha ponte.Por isso, o município de Florença estipulou uma multa de 160 euros para quem for apanhado, em flagrante, a colocar aloquetes na ponte.


No entanto, bem junto do aviso, há aloquetes presos ao gradeamento. E, pelas paredes que ficam próximas da ponte, também se podem ver desses aloquetes...


Acreditarão em tal os que "aloquetam" as vontades?
Ou cantarão, depois, "tu já não me querias mais"?







Guia (Pierre Aderne/Márcio Faraco)
Interpretação - António Zambujo

Atravessei o oceano
Sem o teu amor de guia
Só o tempo no meu bolso
E o vento que me seguia

Venci colinas de lágrimas
Desertos de água fria
Tempestades de lembranças
Mas tu já não me querias mais, mais
Tu já não me querias mais

Procurei a terra firme
Em cada onda que subia
O sol cegava meus olhos
Toda a noite eu te perdia

Lá dentro no pensamento
Virou tudo nostalgia
Água, sal e sofrimento
Porque tu não me querias mais
Tu não me querias mais

Já era Agosto, quando acordei na praia
E vi chegar a primavera, fiz nova cama de flores
Lembrei de todas as cores, cantei baixinho pra elas

Hoje falo em segredo, nessa paixão esquecida
Pra não acordar saudade, pra não despertar o medo,
Pois um amor de verdade, sonha pró resto da vida.

Mas tu já não me querias mais,
Tu já não me querias mais…
Tu já não me querias mais…