sábado, março 01, 2008

# CCXXXVI - Resiliência, resistência ou 8 de Março

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Muito mais do que por mim... pelos meus filhos!

A 8 de Março, eu vou!


Por alguma razão é este o toque do meu telemóvel...

Um grupo português, uma descoberta recente...QUADRILHA!



À Força Não Hei-de Ir


Corpo a rebentar p´la terra que nos quer salvar
E o mundo não entende esta canseira
Custa-me a entender que é mesmo assim que tem de ser
E mandam-me aceitar queira ou não queira
Tanto hei-de dizer que alguém há-de entender

Que à força não hei-de ir, eu
À força não hei-de ir
Não há-de haver ninguém que dite o mal e o bem
Que à força não hei-de ir, eu
À força não hei-de ir

De pedra na mão se trava a força de um canhão
Batalha desigual que dói na alma
Força de um querer que o mundo afasta p’ra não ver

Mas sobra-me a razão que não se acalma
O tempo a passar, ouço a terra a gritar
À força não hei-de ir, eu
À força não hei-de ir
Não há tempo a perder que o mundo há-de entender
Que à força não hei-de ir, eu
À força não hei-de ir




sábado, fevereiro 16, 2008

# CCXXXV - Resiliência


(Os crocus, no meu jardim, regressaram!)

Não pode haver conjuntura, económica ou ministerial, que me impeça de acreditar na nossas capacidades de resiliência. E se, a alguns, lhes traz de volta hinos da revolução de Abril - e moram nas minhas preferências, muitos desses hinos - eu passeio-me por outros temas. Como este, clássico, com a roupagem mais groove do famosíssimo trombonista sueco Nils Landgren:

I Will Survive


At first, I was afraid, I was petrified.
Kept thinkin' I could never live
Without you by my side,
But then I spent so many nights
Thinkin' how you did me wrong.
And I grew strong
And I learned how to get along.

And so you're back from outer space.
I just walked in to find you here
With that sad look upon your face.
I should've changed that stupid lock,
I should've made you leave your key,
If I had known, for just one second,
You’d be back to bother me.

Well, now go! Walk out the door!
Just turn around now,
'Cause you're not welcome anymore!
Weren't you the one
Who tried to hurt me with goodbye?
Did you think I'd crumble?
Did you think I'd lay down and die?

Oh no, not I! I will survive!
Oh, as long as I know how to love,
I know I'll stay alive!
I've got all my life to live.
I've got all my love to give.
And I’ll survive! I will survive!
Hey, Hey!

It took all the strength I had
Not to fall apart
And trying hard to mend the pieces
Of my broken heart.

And I spent, oh, so many nights
Just feeling sorry for myself.
I used to cry,
But now I hold my head up high!

And you'll see me, somebody new,
I’m not that chained up little person
Still in love with you.

And so you felt like droppin' in
And just expect me to be free,
But now I'm savin' all my lovin'
For someone who's lovin' me!

Go now! Go! Walk out the door!
Just turn around now!
'Cause you're not welcome anymore!
Weren't you the one
Who tried to break me with goodbye?
Did you think I'd crumble?
Did you think I'd lay down and die?

Oh no, not I! I will survive!
Oh, as long as I know how to love
I know I'll stay alive!
I've got all my life to live.
I've got all my love to give.
And I'll survive. I will survive! Oohh..

Go now! Go! Walk out the door!
Just turn around now!
'Cause you're not welcome anymore!
Weren't you the one
Who tried to break me with goodbye?
Did you think I'd crumble?
Did you think I'd lay down and die?

Oh no, not I! I will survive!
Oh, as long as I know how to love
I know I'll stay alive!
And I've got all my life to live.
And I've got all my love to give.
And I'll survive. I will survive! I will survive!






domingo, fevereiro 03, 2008

# CCXXXIV - O Órgão do mar

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(Fotos de Zadar)


Criado em 2005 e vencedor do European Prize for Urban Public Space, este projecto é, na verdade, impressionante.

Na costa da Croácia, na zona de Zadar, recorrendo a um sistema de degraus "esburacados", com condutas engenhosamente elaboradas, pode-se ouvir concertos únicos e originalíssimos a cargo de um só executante : o mar!

Para quem, como eu, se deixa ausentar simplesmente por ouvir o som natural do desmaiar das ondas...






quarta-feira, janeiro 30, 2008

# CCXXXIII - A primeira vez


[Vaya con Dios - algures da net]


Foi o primeiro CONCERTO a que assisti. No Pavilhão Infante Sagres, no Porto. Gostava da banda, sabia de cor todos os sucessos... A voz da Klein é única, o contrabaixo do Dirk Schoufs era inusitado. As letras, boas. A música, contagiante.

Memorável o concerto.

Ainda hoje, volta e meia lá torno a ouvi-los. A energizar-me, a carregar boa disposição, a trazer sol às sombras que me querem esconder...

Claro que evoluiram. E a prova é esta versão absolutamente viciante do tema incontornável da banda - Don't cry for Louie.

Don't cry for Louie
MUSIC & LYRICS: D. Schoufs/D. Schoovaerts

I gave up all my friends
My girls from out of town
Bought her what she wanted
Yet she let me down
When she saw me crying
She said I had no heart
When my heart was bleeding
She turned around and laughed


Girls don't cry for Louie
Louie wouldn't cry for you
When you walk the streets for Louie
You better do what Louie tells you to


I met Louie on a hazy morning
When the bars where closing down
He said honey I really like your prancing
You and I we'll burn this town
This woman, sir, mislead me
Hurt me in my pride
Who are you to judge me?
Who are you to take her side?
She cheated on me mister
Told me nothing but lies
I just had to teach her
Not to overstep the line

Girls don't cry over Louie
He wouldn't waste a tear on you
When you walk the streets for Louie
You ain't walking down no avenue

I met Louie on an early morning
In a sleazy part of town
I was tipsy and feeling kinda lonely
Louie offered me his arm
He said: you and I we'll burn this town
He said: you and I we'll burn this town

[Curiosamente, passados quase 20 anos, numa conversa casual - quando comprava o cd deles que traz esta versão - descubro que... este foi também o primeiro concerto a que assistiu uma amiga minha. Que também lhe povoa as memórias... Já nessa altura, estávamos próximos! IC - Bjokitas! lol ]





sábado, janeiro 26, 2008

# CCXXXII - Andar VS. Amar

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[Bifurcam-se, também elas...as vidas]

O melhor dos poderes das canções [dos livros, dos quadros, das imagens,...] é, para mim, o de permitir a construção de leituras imperativamente pessoais. É o de imaginar histórias associadas às sensações lidas.

JP Simões já com os Belle Chase Hotel [nunca entendi a razão do sucesso relativamente baixo dessa formação genial] no tema São Paulo 451 nos remetia para o mundo do Brasil. Com o 1970 - álbum a solo - percebe-se a influência notória de autores da MPB, com destaque absoluto para Chico Buarque. A mundividência, traduzida nas canções, é o sítio do Chico.
A atitude do JP Simoes sofreu uma mudança brutal. O boémio, já tocado pelo álcool, dos Belle Chase seria o alter ego da sensibilidade que agora se revela? Mais segurança e maturidade permitem a JP estados de sobriedade em palco?
O meu assobio* caíu neste tema, uma destas manhãs. Para mim, um dos mais belos da música portuguesa recente. Fui buscá-lo...
A minha leitura desta história: Houve um relacionamento. Até viveram juntos. Um dia, ele foi-se. Para ele, mais do que a relação, acabou toda a preocupação, todo o carinho, tudo o que algum dia ela poderia representar para si. Que ela o ignore, que vá viver longe... Para ela, a ele ficou na sua vida. Não o odeia nem lhe quer qualquer mal. Até gostava de um café, de o apresentar ao novo companheiro. Será que ele quer as coisas que deixou para trás?
Os homens são de Marte e as mulheres de Vénus?


*E a música... linda!


Se por acaso (me vires por aí) - [JP Simões e Luanda Cozetti]

Se por acaso me vires por aí
Disfarça, finge não ver
Diz que não pode ser, diz que eu morri
Num acidente qualquer
Conta o quanto quiseste fazer
Exalta a tua versão
Depois suspira e diz que esquecer
É a tua profissão


E ouve-se ao fundo uma linda canção
De paz e amor


Se por acaso me vires por aí
Vamos tomar um café
Diz qualquer coisa, telefona, enfim
Eu ainda moro na Sé
Encaixotei uns papeis e não sei
Se hei-de deitar tudo fora
Tenho uma série de cartas para ti
Todas de uma tal de Dora


E ouvem-se ao fundo canções tão banais
De paz e amor


Se eu por acaso te vir por aí
Passo sem sequer te ver
Naturalmente que já te esqueci
E tenho mais que fazer
Quero que saibas que cago no amor
Acho que fui sempre assim
Espero que encontres tudo o que quiseres
E vás para longe de mim


E ouve-se ao fundo uma velha canção
De paz e amor


Na sexta-feira acho que te vi
À frente da Brasileira
Era na certa o teu fato azul
E a pasta em tons de madeira
O Tó talvez queira te conhecer
Nunca falei mal de ti
A vida passa e era bom saber
Que estás em forma e feliz

E ouve-se ao fundo uma triste canção
De paz e amor.