quarta-feira, setembro 29, 2010

# CDVI - Ojala...

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[Areias, pedras e mar - Agosto'10]


Kal Cahoone é de Denver (Colorado). Traz-me, em alguns temas e muito neste, de volta o mundo mágico da muy encantadora e saudosa Lhasa de Sela. E isto basta-me para a acolher de braços (e ouvidos) abertos!

Este Esqueletos parece-me, apesar da língua espanhola, uma animada dança grega!


Esqueletos - Tarantella

Ya han escrito las palabras en la arena
esta poesia de nuestro encuentro
que sangra y sale desde los huesos
nuestros esqueletos de amor
que quedan en las piedras
sobre la arena, tan dorada

Dejame verte y en la luz
dejame demostrarte mi amor
bajo el sol, de tu verano

Dejame verte y en la luz
dejame desnudarte mi amor
bajo el sol, de tu verano

Sueños con el viento,
por fin nos deje tranquilos,
Nuestros huesos tan perdidos
dejame verte en la luz

Ojala...



domingo, setembro 26, 2010

# CDV - "y lo mejor de cada instante"

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[ No chão de Valencia, Set'10]


Quem, por curiosidade, tenha visitado o meu perfil de blogger poderá ter visto que uma das minhas canções preferidas é o My Way. Nas suas inúmeras interpretações.

Na verdade, tento agir por forma a tentar sentir-me assim - o que fiz, tudo o que fui fazendo, foi ao meu jeito, à minha maneira...


Como me aconteceu já noutras ocasiões, gostando eu bastante e conhecendo-a desde os meus 11/12 anos, só muito mais tarde reconheci que o Comme d'habitude era o My Way em francês - isto, que poderá parecer anormalmente estranho, comigo é mato. Tal era a importância que as letra tinham para mim que, apesar da música estar lá, como a história cantada não era minimamente igual, nunca poderia ser a mesma canção. Coisas minhas, reconheço...

A versão que deixo em partilha tem o piano do César Camargo Mariano, pai da Maria Rita (filha também da Elis Regina), e a voz da hispânica, embora loira e de olhos azuis, Vicki Carr.



My Way (A Mi Manera)

El fin muy cerca está, lo afrontaré serenamente,
Ya ves, yo he sido así, te lo diré sinceramente
Viví la intensidad y no encontré jamás fronteras
Jugué sin descansar y a mi manera


Jamás viví un amor que para mí fuera importante
Tomé solo la flor y lo mejor de cada instante
Viajé y disfruté, no se si más que otro cualquiera
Si bien, todo eso fue a mi manera.


Tal vez lloré, tal vez reí,
Tal vez gané o tal vez perdí
Ahora sé que fui feliz, que si lloré también amé
Y todo fue, puedo decir, I did it my way.


Quizás también dudé cuando mejor me divertía
Quizás yo desprecié aquello que no comprendía
Hoy sé que infierno fui y que afronté ser como era
Y así logré seguir, a mi manera.


Porque ya sabrás que el hombre al fin
Conocerás por su vivir
No hay porque hablar, ni que decir,
Ni recordar, ni hay que fingir
Puedo llegar hasta el final, I did it my way



quarta-feira, setembro 15, 2010

# CDIV - Actos & Omissões

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[É uma pena - Agst'10]


Deixara-se ficar assim, imóvel no sofã.



Convidara-o (ou fora ele quem, comme d'habitude, se tinha imposto?), preparara-lhe o jantar, usara o seu mais bonito e recente serviço de louças. As velas tinham ardido, tornando o ambiente mais acolhedor.

O licor que lhe servira era caseiro - bem como o pão e o presunto.

A música era coisa a cargo do convidado - não conseguira ainda impor-lhe a sua. As novidades trazia-as ele, habitualmente.

O filme já o vira a sós - mas ele ainda não e cultivava este gosto de partilhar (com ele) as artes que apreciava.


Saíra, ele já. Só, de novo.


No sofã, imóvel.


Na sua cabeça, badalavam as palavras dele - Para que guardas tu as palavras? Quando me dizes "Amo-te"?

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Em audição : Antony And The Johnsons's - Flétta, a duet with Björk.


domingo, setembro 12, 2010

# CDIII - Banjo & Bones

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[Beleza e dignidade - Agst'10]


Do seu quinto álbum (Genuine Negro Jig) a canção número cinco. Os Carolina Chocolate Drops são uns artistas modernos, com uma vocalista enérgica, a fazer música soando ao modo antigo.

O álbum merece aprovação sem reservas - e traz uma versão excelente do tema da Peggy Lee retomado pela Jessica Rabbit (Why Don't You Do Right), no momento alto do filme Quem tramou Roger Rabbit.


Cornbread and Butterbeans
The Carolina Chocolate Drops
Traditional lyrics


Cornbread and butter beans and you across the table,
Eating beans and making love as long as I am able,
Hoeing corn and cotton too, and when the day is over,
Ride the mule, and cut the fool, and love again all over.

Goodbye. Don't you cry. I'm going to Lou'siana,
Barkin dog and a big fat hog and marry Suzy Anna.
Sing-song, ding-dong, I’ll take a trip to China,
Cornbread and butter beans, and back to North Carolina.

Wearing shoes and dranken booze it goes against the Bible.
A necktie will make you die and cause you lots of trouble.
Streetcars and whiskey bars and kissing pretty women.
Women yay that's the end of a terrible beginning.

I can't read and don't care and education's awful.
Raising heck and writing checks, it ought to be unlawful.
Silk clothes and frilly hose is just a waste of money.
Come with me and stay with me and say you'll be my honey.



sexta-feira, setembro 10, 2010

# CDII - Das feridas aladas...

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[Anjo, Foto da net]

Uma temática muito na moda.
Uma cantora muito apreciada, por mim pelo menos.
:)





Velho Anjo
Ana Moura

Entre as plumas de um velho anjo
roça a sombra na asa ferida
a inocência das mãos no peito e o beijo
salva-me a vida.

Entre os astros d'um céu azul
o cristal de uma voz esquecida
descuidados os pés virados ao sul
salvam-me a vida.

Não há luz que ilumine
a noite intensa
da ausência em mim suspensa.
Que a existência não flui entre os dedos
que os meus segredos são os temores da minha alma assustada
que procura dar-se ao desejo suspenso em ti.

Entre as plumas de um velho anjo
roça a sombra na asa ferida
a inocência das mãos no peito e o beijo
salva-me a vida.

Entre os astros d'um céu azul
o cristal de uma voz esquecida
descuidados os pés virados ao sul
salvam-me a vida.




quarta-feira, setembro 08, 2010

# CDI - Adeus Manel!

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[Levantar voo - Agosto'10]



Não foste notícia de abertura nos telejornais nacionais.
Mas deixaste uma pena sem fim nos que tiveram o privilégio de te conhecer.
Adeus, amigo...


Canção Da América
Composição: Fernando Brant e Milton Nascimento
Interpretação : Elis Regina


Amigo é coisa para se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção que na América ouvi
Mas quem cantava chorou
Ao ver o seu amigo partir

Mas quem ficou, no pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou, no pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou

Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam "não"
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração

Pois seja o que vier, venha o que vier
Qualquer dia, amigo, eu volto
A te encontrar
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar.



domingo, setembro 05, 2010

# CD - Não olheis para o caminho...

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[Verde, Setembro'10]

Extensos campos preenchidos com milho. A visão traz consigo, inevitavelmente, a memória das irritantes canas verdes a roçar na pele e a marcar vermelhidões assaz intensas e incómodas. Outros Verões, outros banhos...

E ecoa-me na memória o Zeca Afonso a cantar o Milho Verde. E a versão atrevida, e algo delicodoce, da Gal Costa.

E esta, interessante e bem conseguida, do Quinteto Jazz de Lisboa:





Milho verde
[Canção popular da Beira-Baixa]


Milho verde, milho verde
Ai milho verde, milho verde
Ai milho verde miudinho
À sombra do milho verde
Ai, à sombra do milho verde
Ai namorei um rapazinho
Ai namorei um rapazinho


Milho verde, milho verde
Ai milho verde, milho verde
Ai milho verde maçaroca
À sombra do milho verde
Ai, à sombra do milho verde
Ai namorei uma cachopa
Ai namorei uma cachopa


Milho verde, milho verde
Ai milho verde, milho verde
Ai milho verde folha larga
À sombra do milho verde
Ai, à sombra do milho verde
Ai namorei uma casada
Ai namorei uma casada

Mondadeiras do meu milho
Ai mondadeiras do meu milho
Ai mondai o meu milho bem
Não olheis para o caminho
Ai não olheis para o caminho
Ai que a merenda já lá vem
Ai que a merenda já lá vem
Ai que a merenda já lá vem




quinta-feira, setembro 02, 2010

# CCCXCIX - E ainda Paulo Bragança...


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[Altares naturais - Porto, Agst'10]

Em Dezembro de 2006, perguntava-me por onde andaria Paulo Bragança...


Em
Março de 2008, recorria a uma das suas canções para um post. E continuava sem saber o que seria feito deste artista.

Por estes dias, soube que se começa "a encontrar" artisticamente de novo. E isso é muito bom! Num filme do irlandês Fergal Rock, Paulo Bragança desempenha o papel de Henry, um palhaço desempregado que se apaixona por uma famosa actriz de novelas, Sunny Carmichael - e, no fundo, todos nos identificamos com o palhaço que sofre por amor, não é?

Henry & Sunny fica debaixo de olho.

O vídeo de promoção do filme:



E a entrevista com o Paulo Bragança, em três partes :










E eu sei que este post vai compridoooooo, mas falar deste artista obriga a ouvi-lo no que faz muito bem - cantar!

A sua versão de Senhora do Almortão (Almurtão para os residentes de Idanha-a-Nova), do disco de estreia de Paulo Bragança, Notas da Alma:


Senhora do Almortão
(Popular Beira-Baixa)

Senhora do Almortão,
Oh, minha rosa encarnada,
Ao cimo do Alentejo
Chega a vossa nomeada...
Senhora do Almortão,
Ó minha linda raiana,
Virai costas a Castela,
Não queirais ser castelhana,
Não queirais ser castelhana, ahhh...

Nossa Senhora da Póvoa,
Nossa Senhora da Póvoa...
Minha boquinha de riso,
Minha maçã camoesa,
Minha maçã camoesa...
Criada no paraíso,
Criada no paraíso...

Senhora do Almortão,
A vossa capela cheira,
Cheira a cravo, cheira a rosa,
Cheira a flor da laranjeira,
Cheira a flor da laranjeira.

Nossa Senhora da Póvoa,
Nossa Senhora da Póvoa...
Minha boquinha de riso,
Minha maçã camoesa,
Minha maçã camoesa...
Criada no paraíso,
Criada no paraíso.